Nikita Khrushchev (1894-1971) - Biografia

Nikita Khrushchev (1894-1971) - Biografia

Nikita Khrushchev foi o principal líder da URSS e do Partido Comunista da União Soviética de 1953 a 1964. De "Sr. K", a história lembrará seu famoso golpe no pódio da ONU em 1960 e seu impasse com Kennedy durante a crise dos mísseis cubanos, dois anos depois. O sucessor de Stalin denunciará os excessos do tirano vermelho no 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética e iniciará a "normalização" e pacificação do regime soviético, abrindo caminho para a "coexistência pacífica" com o Ocidente. Por outro lado, suas reformas econômicas ficarão sem futuro.

Khrushchev: uma carreira exemplar

Nikita Kroutchev é filho de um mineiro, nascido em 3 de abril de 1894. Ele teve uma "carreira" exemplar: operário, depois soldado durante a Primeira Guerra Mundial, ingressou no Partido Comunista Ucraniano e depois continuou sua ascensão em Moscou antes de retornar à Rússia. Ucrânia, onde liderou o partido por dez anos. A Segunda Guerra Mundial deu-lhe a oportunidade de brilhar: ele organizou a resistência à Wehrmacht e participou da feroz batalha de Stalingrado (1942). Membro do Politburo, Khrushchev já é um dos principais líderes da URSS.

Quando Stalin morreu em março de 1953, ele ocupava o cargo-chave de primeiro secretário do Partido Comunista da União Soviética. Khrushchev participa da eliminação dos "diadochs", os sucessores potenciais de Stalin: Beria e depois Malenkov. Seu papel na liderança colegial se torna proeminente. Em 1958, ele combinou a função de Presidente do Conselho de Ministros.

A ruptura com o stalinismo

Puro produto do período stalinista (ele próprio participou dos expurgos ordenados pelo ditador), Khrushchev, no entanto, sente que a população soviética sente uma profunda necessidade de mudança. Promove uma política interna de reformas políticas (liberalização do regime e anistia para ex-adversários) e econômicas. A prioridade é, portanto, dada à produção de bens de consumo, a fim de melhorar as condições de vida dos russos.

Durante o XX Congresso do Partido (1956), denunciou, em relatório secreto, os “crimes de Stalin” e seu “culto à personalidade”. Esta posição, tanto mais importante quanto emana de uma "criatura stalinista", teve repercussões consideráveis ​​no mundo comunista, inclusive nos partidos comunistas ocidentais, que devem então admitir fatos que, até então, , sempre foi negado.

Uma nova era está se abrindo para o comunismo mundial. As relações da URSS com as democracias populares, assim como com o resto do mundo, são modificadas como resultado. A "desestalinização" vai além: Khrushchev estabelece condições políticas mais liberais na URSS e no Leste Europeu. Mas, para evitar qualquer transbordamento, ele lidera uma política intervencionista nas democracias populares, e tanques serão usados ​​em Budapeste em 1956 para suprimir um levante popular.

Entre Guerra Fria e Relaxamento

Internacionalmente, as famosas declarações estrondosas e explosões de raiva de Khrushchev, na verdade, escondem uma política prudente baseada na ideia de uma "coexistência pacífica" da URSS e dos Estados Unidos. Khrushchev busca impulsionar um novo rumo nas relações entre os dois blocos. Sob sua liderança, a Guerra Fria entrou em uma fase de distensão. Ele rejeita a ideia de um possível conflito com os Estados Unidos e afirma a necessidade de competir com o mundo ocidental economicamente, e não militarmente. Depois de ter liderado a reconciliação de seu país com a Iugoslávia de Tito, ele participou da conferência de Genebra em 1955, que reuniu, pela primeira vez desde 1945, os ex-vencedores da Alemanha nazista. As relações com os Estados Unidos melhoram: Khrushchev encontra Eisenhower e depois Kennedy.

Paradoxalmente, ele mandou erguer o Muro de Berlim em 1961, depois deu seu apoio ao regime de Castro, que precipitou o mundo à beira de uma terceira guerra mundial durante a crise dos foguetes em Cuba em 1962. Mesmo assim, preferiu evitar o confronto com os Estados Unidos, ordenam a retirada dos mísseis instalados na ilha e assinam, em 1963, em Moscou, um tratado que proíbe testes nucleares na atmosfera.

A queda de Khrushchev

Para reviver a atividade econômica e torná-la competitiva com o Ocidente, Khrushchev deu início a um vasto movimento de reformas agrícolas, denunciando a prioridade dada por Stalin à indústria. Assim, ele lança a grande campanha para limpar terras virgens nas regiões da Sibéria. Também se esforça para desconcentrar e descentralizar a gestão da economia soviética.

As desordens econômicas ligadas às reformas empreendidas, as crises internacionais e a ruptura com a China (1961) enfraquecem a posição soviética e, portanto, a de Khrushchev. Além disso, a personalidade original e imponente do líder não se adapta bem às regras de “liderança colegiada” postas em prática após a morte de Stalin. Ele foi demitido de seu cargo pelo plenário do Comitê Central em outubro de 1964 e substituído por Leonid Brezhnev.

Khrushchev foi um dos principais atores da Guerra Fria que, em 1962, durante a crise dos foguetes em Cuba, quase degenerou em guerra mundial e nuclear. Na URSS, os “anos Khrushchev” foram marcados por profundas mudanças políticas, em particular uma pacificação da vida política soviética. Sinal dos tempos: quando Khrushchev é forçado a renunciar, ele não se preocupa e pode liderar um retiro pacífico, no coração da capital, até sua morte em setembro de 1971 ...

Para mais

- Khrushchev, a reforma impossível, de Jean Jacques Marie. GLDM, 2010.

- História da União Soviética de Khrushchev a Gorbachev, por Nicolas Werth. PUF, 2013.


Vídeo: Nikita Khrushchev: El Hombre Detrás de la Crisis de los Misiles